DEADWOOD
UMA FOCKING SÉRIE
No último domingo, estive com meus amigos Bete e Galdir, assitindo o último DVD da última temporada de Deadwood. Meses atrás, vimos juntos o piloto da série e decidimos que juntos nos despediríamos dela. Enquanto o último episódio se encerrava ante nossos olhos já cheios de saudade, lembro-me de ter perguntado: "vocês reperaram como nós nos relacionamos com Deadwood da mesma forma que nossas mães fazem com suas novelas?" Curiosamente, quando vimos o piloto da série, nem sentimos maiores expectativas. Mas Galdir achava que devia haver algum motivo pra o site IMDB ter cotado tão bem essa produção da HBO. E ele estava certo.
A série, ambientada na metade final dos anos de 1800, leva-nos à pequena cidade de Deadwood, localizada na Dakota do Sul. O lugar é marcado pela violência, em boa medida motivada pela exploração do ouro e por um jogo político ligado à sua vinculação teritorial. Mas isso é só o pano de fundo para o real tesouro da série, que são as relações nada cordiais entre os moradores da cidade. Os personagens são reprimidos, comportamento típico em ambientes hostis, nos quais demonstrar sentimentos é sinal de fraqueza (como bem apontou Bete). Suas falas são marcadamente densas, e seus atos, extremamente sutis. Dentre estes insólitos moradores de Deadwood, ganha destaque o ameaçador Al Swearengen, dono de um saloon onde as manchas de sangue são coisas corriqueiras. Por sinal, Swearengen é certamente o focking papel da vida do ator Ian Macshane, tendo lhe valido um merecido Globo de Ouro. Mas mesmo os personagens secundários (e mesmo alguns terciários) acabam se tornando carismáticos, a exemplo do próprio mocinho Seth Bullock, um homem-da-lei que escolheu o lugar errado pra recomeçar a vida.
Deadwood estreou na HBO em março de 2004, e teve apenas três temporadas. Pra desespero dos fãs, quando o anúncio de cancelamento se deu, a trama ainda não tinha alcançado uma conclusão. A exemplo do que aconteceu com a série Firefly, o canal ofereceu ao produtor executivo uma verba para realização de seis episódios extras que encerrariam a saga. Mais desespero: o produtor, que queria se envolver em novos projetos, recusou a oferta e ficou tudo por isso mesmo. Tipo Caverna do Dragão, mas com tristeza de gente grande.
Nota: 9,0 (de dez)
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